| MATSYA MEDITA |
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Aos poucos foi se integrando no mundo dos homens e o mar passou a ser lembrado vagamente como uma saudade incontida. Às vezes tornava-se tristonho como se tivesse perdido o paraíso, mas algo mais forte e impulsivo o empurrava para diante e não o deixava olhar para trás. Sabia perfeitamente que tinha uma missão a cumprir, mas qual e como realizá-la? Meditou várias noites. Nesses mergulhos dentro das trevas do seu próprio ser foi, gradativamente, descobrindo que esse recolher-se em si mesmo o deixava mais seguro e mais confiante no que o futuro lhe reservava. Quanto mais se exercitava na yoga, tanto nos pranaymas como nas outras práticas, mais sentia diluir-se a névoa que o separava do restante do mundo. Resolveu sair de seu casulo e deixar que as pessoas se aproximassem e aprendessem suas técnicas de yoga. Matsya viu-se rodeado de discípulos que não se contentavam apenas em imitar suas posturas, mas queriam algo mais. Esperavam que ele lhes desse a fórmula que o fizera transformar-se de peixe em homem. Pensavam em assemelhar-se ao deus Shiva, tornando-se imortais. Mas o mestre lhes ensinou que a imortalidade é inerente ao espírito. Somente os que aprimoram as outras faces do ser humano têm condições de percebê-la. Quando isso acontece, as transformações foram tão profundas e tão vastas que a própria imortalidade não tem mais razão de ser. O homem volta à sua origem, se desvencilha de seus corpos de ilusão e de desejo. Reintegra-se com o todo, como a gota d'água ao mar, dilui-se em Deus. |